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viernes, 28 de enero de 2011

Perante Herodes

Herodes nunca havia se encontrado com Jesus, mas há muito desejava vê-Lo e testemunhar Seus maravilhosos milagres. Quando o Salvador foi conduzido à sua presença, a turba se agitou, acotovelando-se. Gritavam coisas diferentes produzindo um vozerio confuso. Herodes ordenou silêncio, pois desejava interrogar o prisioneiro. Comovido e curioso, olhou o rosto pálido de Jesus. Viu nele traços de profunda sabedoria e pureza. Estava convencido, assim como Pilatos, de que somente a maldade e a inveja eram os únicos motivos que levaram os judeus a acusá-Lo. Compeliu-O então Herodes a operar um de Seus milagres diante dele com a promessa de que o soltaria se assim fizesse. Deu ordens para que viessem pessoas paralíticas e deformadas para que Cristo as curasse. O Salvador, porém, manteve-Se impassível como se nada estivesse ouvindo ou vendo. O Filho de Deus havia assumido em Si mesmo a natureza humana e cumpria-Lhe agir como homem em idênticas circunstâncias. Entretanto, não operaria um milagre para meramente satisfazer a curiosidade ou salvar a Si mesmo da dor e humilhação a que homens em situações semelhantes teriam que se sujeitar. Seus acusadores tremeram quando Herodes pediu-Lhe um milagre. Uma das coisas que mais temiam era a manifestação do poder divino que já tinham presenciado em Cristo. Tal manifestação seria um golpe mortal em seus planos e talvez lhes custasse a própria vida. Por isso, irromperam em gritos, atribuindo os milagres de Jesus ao poder de Belzebu, o príncipe dos demônios. Coração Endurecido Alguns anos antes, Herodes ouvira os ensinos de João Batista e ficara profundamente impressionado; contudo, não abandonara sua vida de intemperança e pecado. Seu coração se endureceu mais e mais e, finalmente, em uma noite de orgia e bebedeira, ordenara que João fosse decapitado para agradar a perversa Herodias. Agora, achava-se mais endurecido ainda. Não pôde suportar o silêncio de Jesus. Uma sombra de ira e paixão pôde ser notada em seu rosto e, exasperado, ameaçou o Salvador que permaneceu imóvel, em silêncio. Cristo viera ao mundo para curar os sofredores. Pudesse Ele ter dito uma única palavra para curar as feridas das almas enfermas pelo pecado, não teria guardado silêncio. Mas nada tinha a dizer àqueles que pisariam a verdade sob seus pés profanos. Aquele ouvido que sempre estivera atento aos clamores da miséria humana, achava-se agora surdo à ordem de Herodes. Aquele coração, que sempre se comovia com o apelo do mais vil dos pecadores, fechou-se ao rei presunçoso que não sentia necessidade de um Salvador. Irado, Herodes voltou-se para a multidão e declarou Jesus um impostor. Mas Seus acusadores sabiam que não se tratava de nenhum impostor, posto que haviam presenciado muitos de Seus feitos poderosos. Então o rei começou a insultar e ridicularizar vergonhosamente o Filho de Deus. "Mas Herodes, juntamente com os da sua guarda, tratou-O com desprezo, e, escarnecendo dEle, fê-Lo vestir-Se de um manto aparatoso." Luc. 23:11. Ao notar o perverso rei que Jesus sofria em silêncio todas as injúrias, comoveu-se com um repentino receio de que não tinha diante de si um homem comum. Ficou perplexo com a idéia de que aquele prisioneiro pudesse ser alguma divindade que descera à Terra. Herodes não ousou confirmar a condenação de Jesus. Desejava livrar-se daquela terrível responsabilidade e então enviou-O de volta a Pilatos.

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